Aridez

DESERTO 2

 

Sou a chuva que cai e ninguém celebra

O Sol que nasce e se põe sem aplausos

Um detalhe despercebido, um grão de areia a mais na praia

Sou a terra seca

A árvore morta

O vazio.

Sou o vento que sopra e ninguém sente

A geada que surge e ninguém vê

Uma gota de orvalho, uma borboleta seca

Sou chão árido

Casebre abandonado

A inércia.

Sou o dia que passa e ninguém lembra

A flor que morre e ninguém lamenta

Uma brisa no furacão, uma pedrinha do lago

Sou ninho vazio

Pé de rosa sem flor

O invisível.

Sou o oásis ácido na seca do nordeste

Um sonho esquecido na manhã seguinte

Óculos para cego, música para surdo

Sou neve no Alaska

Fruta podre no pé

O deserto.

 

Andrio Robert Lecheta às 4:33 da manhã, 23/07/2014

Ao som de Paramore – Misguided Ghosts

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Memórias

 

one direction

 

Entrei naquela sala meio empoeirada. Era dia, mas estava um pouco escuro com a única luz que entrava pela janela. Ali estavam espalhados pelo chão alguns brinquedos, carrinhos e ursinhos. Havia ali uma criança, um pequeno menino.

Sentei-me na única cadeira que havia. Ele vestia uma camisa azul com desenho da Família Dinossauro e um calçãozinho creme. Estava descalço, sozinho, mexendo em seus brinquedos. A televisão antiga estava desligada e o toca discos fazia ruídos como se ali houvesse um vinil sem músicas.

No piso dava para ver os locais por onde aquele menininho passava para brincar. A poeira parecia ser já de semanas passadas.

Ele olhava para a janela fixamente por algumas vezes. Deitava com a cabecinha ao chão e por vezes até dormia algumas horas seguidas. Acordava, olhava para um lado e para o outro. Arriscava um “Papá!”. Sem resposta voltava  a se entreter com seus ursinhos dos quais ainda não tinha coordenação motora suficiente para manipular.

Às vezes chorava, choramingava e ninguém aparecia. Era um completo vazio.

Com seus brinquedos, haviam momentos em que ele soltava enérgicas gargalhadas que meus olhos lacrimejavam de tamanha pureza e essência. Era a fonte do ouro da felicidade. Eu me sentia eterno quando ele fazia isso.

Por momentos ele ficava longos períodos em absoluto silêncio girando uma bolinha com líquido azul e um peixinho dentro. Às vezes fixava o olhar na parede e rapidamente sorria ou então chorava. Balbuciava coisas como se já estivesse acostumado com toda aquela solidão por muito tempo e como se ali estivessem seus outros amiguinhos de sempre.

De repente entra uma mulher ali, com ar cansado e abatido. Chega perto do menino, dá-lhe um beijinho na testa e o chama por meu nome.

Andrio Robert Lecheta 13/07/2014 às 02:14 horas.

Ao som de OPEN YOUR EYES – Snow Patrol