Nasce a Vida

vida

 

E então ela descobre que carregava dentro de si: Vida. Ela carrega mais VIDA!

Muito mais Vida do que imaginava.

A partir dali brotara dentro de si mais sentido e significado à existência.

Nesse momento e nos meses que se seguiram ela exalava V-I-D-A.

A Vida corria por suas veias, passava por seus pulmões e acalentava os dois corações que agora habitavam um só corpo.

Era vida que brotava e escorria dos olhos desde a primeira batida daquele pequeno coração. Aquele pedacinho de VIDA.

Em frente ao espelho , nua, observava em si que nada mais era como antes. Tudo estava cheio de VIDA. Com as mãos na barriga sentia o universo acontecendo dentro de si. Um BIG BANG de emoções coloridas com flores rosas e lilás.

Em todas as curvas do seu corpo havia essência de vida: em seu peito se preparando para amamentar, em seu quadril que agora estava maior e até em seus pés inchados. Até a dor era sinal que ali existia VIDA. Vida que pulsava como nunca.

E ali a Vida corria tão INTENSAMENTE que certo dia de seu peito veio um pouco de leite. Parecia magia! Havia deitado mulher e despertado mãe. Não que antes ela assim não se sentisse, mas agora seu corpo reagia ainda mais à tanta Vida.

Esperança no amanhã, a calma após o pesadelo, um pedido de paz e equilíbrio ao mundo: cada criança ,em cada ventre, traz consigo uma mensagem incontestável de amor  à vida. O milagre da multiplicação ( celular) estava acontecendo dentro dela.

Os raios de Sol em seu rosto agora eram os beijos de Deus e a brisa leve ao caminhar numa manhã de inverno: o sopro da VIDA.

Tanta Vida que a sensação era que ela era o universo. E cá entre nós: nesse momento ela é um universo. Um universo que transborda VIDA!

Andrio Robert Lecheta às 02:50 horas. 16/07/2014.

Ao som de Slow it Down e Stubborn Love – The Lumineers

(Uma homenagem à minha amiga/comadre PRISCILA , grávida da minha linda e primeira afilhada Helo!O anjo que vai trazer mais vida às nossas vidas!)

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Memórias

 

one direction

 

Entrei naquela sala meio empoeirada. Era dia, mas estava um pouco escuro com a única luz que entrava pela janela. Ali estavam espalhados pelo chão alguns brinquedos, carrinhos e ursinhos. Havia ali uma criança, um pequeno menino.

Sentei-me na única cadeira que havia. Ele vestia uma camisa azul com desenho da Família Dinossauro e um calçãozinho creme. Estava descalço, sozinho, mexendo em seus brinquedos. A televisão antiga estava desligada e o toca discos fazia ruídos como se ali houvesse um vinil sem músicas.

No piso dava para ver os locais por onde aquele menininho passava para brincar. A poeira parecia ser já de semanas passadas.

Ele olhava para a janela fixamente por algumas vezes. Deitava com a cabecinha ao chão e por vezes até dormia algumas horas seguidas. Acordava, olhava para um lado e para o outro. Arriscava um “Papá!”. Sem resposta voltava  a se entreter com seus ursinhos dos quais ainda não tinha coordenação motora suficiente para manipular.

Às vezes chorava, choramingava e ninguém aparecia. Era um completo vazio.

Com seus brinquedos, haviam momentos em que ele soltava enérgicas gargalhadas que meus olhos lacrimejavam de tamanha pureza e essência. Era a fonte do ouro da felicidade. Eu me sentia eterno quando ele fazia isso.

Por momentos ele ficava longos períodos em absoluto silêncio girando uma bolinha com líquido azul e um peixinho dentro. Às vezes fixava o olhar na parede e rapidamente sorria ou então chorava. Balbuciava coisas como se já estivesse acostumado com toda aquela solidão por muito tempo e como se ali estivessem seus outros amiguinhos de sempre.

De repente entra uma mulher ali, com ar cansado e abatido. Chega perto do menino, dá-lhe um beijinho na testa e o chama por meu nome.

Andrio Robert Lecheta 13/07/2014 às 02:14 horas.

Ao som de OPEN YOUR EYES – Snow Patrol