Caneca branca

caneca

 

Eis a mesma solidão de todos os dias

Corredores e vida vazia

Saudades e lembranças vivas

E um gole de chá quentinho na caneca de sempre.

 

Eis a mesma insônia de todas as noites

Mãos e corações vazios

Nostalgias e vontades vivas

E um gole de café puro na caneca da vida.

 

Eis a mesma dor de todas as tardes

Aliança e roupas na gaveta

Esperanças e sonhos vivos

E um gole de leite gelado na caneca da ferida.

 

Eis a mesma frustração de todas as manhãs

Vontades e corações escondidos

Lágrimas e olhares vivos

E um gole de chá gelado na caneca da saudade.

 

A caneca branca de todos os dias

O gosto ruim de todas as noites

O chá amargo de todas as tardes

E o leite azedo do medo de despertar todas as manhãs.

 

Andrio Robert Lecheta às 08:31 da manhã 28/07/2014

ao som do instrumental de Slow It Down – The Lumineers.

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Vento

vento 1

Não sopre nessa direção

Não mostre nas nuvens o teu rosto

Leve as lembranças

Gira-me!

Não acalenta-me assim

Não traga aquele cheiro

Apague os sonhos

Levita-me!

Não jure amor eterno

Não brilhe em minha alma

Rodopie para longe

Abandona-me!

Não tire minha dor

Não carregue essa saudade

Abraça-me agora

Beija-me!

Não volte ao sentir falta

Não chore na ausência

Segura-me forte

Encontra-me!

Não traga o amor que apaguei

Não compreenda-me na solidão

Afasta-te enquanto há tempo

Ou ama-me!

Andrio Robert Lecheta às 05:28 da manhã 24/07/2014

Ao som de Somewhere Only We Know

Aridez

DESERTO 2

 

Sou a chuva que cai e ninguém celebra

O Sol que nasce e se põe sem aplausos

Um detalhe despercebido, um grão de areia a mais na praia

Sou a terra seca

A árvore morta

O vazio.

Sou o vento que sopra e ninguém sente

A geada que surge e ninguém vê

Uma gota de orvalho, uma borboleta seca

Sou chão árido

Casebre abandonado

A inércia.

Sou o dia que passa e ninguém lembra

A flor que morre e ninguém lamenta

Uma brisa no furacão, uma pedrinha do lago

Sou ninho vazio

Pé de rosa sem flor

O invisível.

Sou o oásis ácido na seca do nordeste

Um sonho esquecido na manhã seguinte

Óculos para cego, música para surdo

Sou neve no Alaska

Fruta podre no pé

O deserto.

 

Andrio Robert Lecheta às 4:33 da manhã, 23/07/2014

Ao som de Paramore – Misguided Ghosts