Aridez

DESERTO 2

 

Sou a chuva que cai e ninguém celebra

O Sol que nasce e se põe sem aplausos

Um detalhe despercebido, um grão de areia a mais na praia

Sou a terra seca

A árvore morta

O vazio.

Sou o vento que sopra e ninguém sente

A geada que surge e ninguém vê

Uma gota de orvalho, uma borboleta seca

Sou chão árido

Casebre abandonado

A inércia.

Sou o dia que passa e ninguém lembra

A flor que morre e ninguém lamenta

Uma brisa no furacão, uma pedrinha do lago

Sou ninho vazio

Pé de rosa sem flor

O invisível.

Sou o oásis ácido na seca do nordeste

Um sonho esquecido na manhã seguinte

Óculos para cego, música para surdo

Sou neve no Alaska

Fruta podre no pé

O deserto.

 

Andrio Robert Lecheta às 4:33 da manhã, 23/07/2014

Ao som de Paramore – Misguided Ghosts

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