As Cinzas

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Asas queimadas pelas chamas do tempo e da saudade.

Onde estava aquela coragem de recomeçar como antes?

Não sei.

Hoje nem comecei a procurar!

A casa estava suja e eu apenas arrastava o que sobrou de mim pelo cantos, vagando de escada para parede, de canto para o chão.

As vezes sem fôlego, sem fé, sem sangue nas veias.

Existindo.

Respirando.

Era o que bastava para aquelas horas do dia interminável.

Aromas, cores, saudades, solidão e olhos parados na direção do horizonte.

A vida agora se tornara uma bailarina sentada em frente ao espelho, nua e apreciando sua magreza, cabelos e pés machucados.

As chances do Sol voltar naquela tarde eram mínimas e isso me deixava sem rumo.

Olhei para minhas asas feridas, respirei fundo e lembrei de tudo o que causou este estrago.

Notei que eu era um eterno amontoado de cinzas que o vento levava de um lado para o outro. Entretanto todos admiravam minha coragem em voar novamente mesmo tendo encontrado o fogo que incendiava minha existência e me consumia.

Voltei então ao porão, abri meu baú onde me guardo todas as vezes. Me encontrei lá. Encontrei um pouco de todas as outras vezes que fui consumido por mim mesmo. Já não me causava tanto choque me ver sendo pó como das outras vezes. Porém naquele momento notei que todas as vezes juntei minhas cinzas e voei novamente. Sempre pensei que seria a última vez até descobrir que eu era imortal.
De alguma forma a vida me ensinou a renascer sempre.”

 

Andrio Robert Lecheta, 08/07/2014 às 16:57 horas.

Ao som de STORM ( Lifehouse).

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